Criatividade: o que é e como melhorar?
Criatividade é uma habilidade inata humana, uma das principais que diferenciam nosso comportamento dos outros animais. É uma habilidade que nasce da combinação de 4 esferas: o funcionamento biológico do cérebro, o estilo de personalidade e motivações, o repertório de conhecimento acumulado e a interação com outras pessoas.
Além da quantidade de neurônios que temos no córtex cerebral, temos muitas células entre a sensação (informações que vem do ambiente) e a ação (é isto que vou fazer) que permitem imaginar muitas alternativas. Usamos uma série de operações básicas – envolvendo a memória, atenção, emoções, raciocínio lógico – para rearranjar informações o tempo todo.
Imagine que temos milhares destes neurônios discutindo sobre tudo que experienciamos – como se fosse um debate parlamentar acontecendo em segundo plano (fora da nossa consciência). Dependendo da conexão que acontece entre informações, surge uma ideia que é levada para a consciência. A ideia pode parecer algo repentino, mas na verdade ela estava sendo debatida antes, fora do seu controle consciente.
Segundo o tipo de conexões de neurônios em rede, existem duas dimensões de processamento de informações não concorrentes e paralelas
A primeira refere-se à capacidade de organizar, sequenciar as informações, tornando o pensamento lógico, a segunda e oposta, caracteriza o pensamento intuitivo, o qual processa a quantidade total dos estímulos conscientes e inconscientes, direcionando uma tendência.
Apesar da natureza oposta, que geralmente faz as pessoas imaginarem que lógica e intuição se anulam, na verdade, a somatória dessas dimensões geram um terceiro valor.
Imagine uma gangorra, se o pensamento lógico pesa mais, a combinação final trará pensamentos claros, objetivos, elaborados, e imparciais. Esse é o modus operandi típico dos cientistas e dos argumentadores. Por outro lado, se a intuição pesa mais, a combinação final acrescentará pensamentos empáticos, flexíveis, imaginativos, com senso de humor e o uso constante de analogias e metáforas. Esse é o modus operandi típico dos músicos, atores, escritores e pintores. Esse raciocínio ajuda a entender que tanto as fórmulas de Einstein quanto Monalisa são exemplos de criatividade. Einstein adicionou intuição à lógica física, ao olhar e reorganizar a estrutura newtoniana, criando um novo arranjo para as partes já existentes.
Atribui-se a genialidade dos últimos quartetos de Beethoven ao problema de audição, quando foi possível ignorar as críticas externas e focar na sua própria intuição.
O que acontece no cérebro em um processo criativo?
Uma grande bagunça de conversas entrecruzadas entre muitas áreas neuronais. Quanto mais interconectado o cérebro, melhor o efeito de modificar, desmontar e montar de novo tudo que é visto. E por isso também que uma quantidade maior de repertório de experiências aumenta a criatividade.
O cérebro se torna criativo ao máximo quando troca a segurança pela surpresa, a rotina pelo desconhecido – o que implica em risco. É impossível criar algo original tendo certeza do seu resultado, essa tolerância ao risco e predisposição de aprender com os erros são essenciais e podem ser desenvolvidos. Alimentar o cérebro de referências e repertórios variados e usar a imaginação para combinar tudo de todos os jeitos possíveis é uma receita válida! Você sabia que James Dyson – o inventor do aspirador de pó sem saco – fez 5127 protótipos antes da ideia dar certo? Ou seja, criatividade é trabalho duro!
Existem outros jeitos de aprimorar a sua criatividade, e o principal é trabalhar seu ócio!
A criatividade é processada em segundo plano no cérebro, sendo assim, quando você não está preocupado ou se esforçando muito para pensar em algo, as ideias vem! Tipo quando você tem aquela ideia brilhante enquanto toma banho. Além disso, ler, buscar conteúdos em plataformas e criadores que você geralmente não procura, pode te dar um novo ponto de vista, trazendo ligações e ideias novas.
Criatividade não é um super poder, você pode (e deve) buscar melhorar essa habilidade essencial.
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