Resiliência e Persistência

Síndrome da impostora: por que mulheres capazes continuam duvidando de si mesmas (vale para homens também)

· Eu Sou a Jê
Síndrome da impostora: por que mulheres capazes continuam duvidando de si mesmas (vale para homens também)

Síndrome da impostora: por que mulheres capazes continuam duvidando de si mesmas (vale para homens também)

Em 2017, quase deixei de viver uma das experiências mais transformadoras da minha carreira. Não porque eu não estava preparada. Não porque a oportunidade fosse grande demais. Desisti de ir para uma prova de um concurso público como professora, porque simplesmente achei que não “era boa o suficiente” e todo mundo ia “descobrir que eu era uma farsa.” O medo construiu uma história tão convincente sobre mim que eu quase acreditei nela inteira. E o pior: o que eu mais temia nem era real. Se você já sentiu algo parecido (essa voz que aparece exatamente quando as coisas começam a ficar sérias), este artigo não é tem o objetivo de ser ferramenta de autoajuda, mas minha experiência pode te ajudar. Acho que é mais sobre entender o que está acontecendo de verdade.

RESUMO RÁPIDO

Síndrome da impostora não é um defeito de personalidade. Nem a falta de algo. Alguns autores sugerem que ela é um fenômeno e não uma síndrome. É o que acontece quando você é ensinada a duvidar antes de agir.

A HISTÓRIA QUE O MEDO CONTA

Existe um padrão que se repete com uma consistência perturbadora entre mulheres em cargos de liderança, em transições de carreira, em primeiras vezes de qualquer tipo. É este: quanto maior a oportunidade, mais alto fala a voz que diz “ainda não”.

Esse fenômeno tem nome, popularmente chamado de síndrome da impostora, mas o nome faz pouco favor à complexidade do que está em jogo. Porque chamar de “síndrome” sugere que o problema está em quem sente. E raramente é essa a raiz da coisa.

A psicóloga Pauline Clance, que cunhou o termo na década de 70, estava estudando mulheres de alta performance que, mesmo com resultados objetivos, atribuíam seu sucesso à sorte, ao timing ou ao engano alheio. Não ao próprio mérito.

O que ela encontrou foi um padrão de resposta a ambientes que historicamente não reconheceram mulheres como referência.

Você não nasceu duvidando de si. Você aprendeu.

O que realemente está acontecendo??

Há três camadas distintas no que chamamos de síndrome da impostora:

CAMADA 1: O CONDICIONAMENTO

Desde cedo, mulheres são socializadas para calibrar constantemente a percepção alheia. Ser humilde. Não parecer arrogante. O resultado é uma hiper-vigilância interna que transforma a visibilidade, que é exatamente o que a liderança exige, em ameaça.

Não é a sua insegurança. É um sistema de proteção que funcionou em um contexto social e histórico, e parou de funcionar em outro.

CAMADA 2: O AMBIENTE

Nem toda síndrome da impostora nasce por dentro. Na verdade, grande parte dela é alimentada ativamente por fora.

Ambientes que nunca te viram como referência produzem exatamente esse sentimento. O estranhamento de ocupar um espaço que não foi desenhado para você não é paranoia. É leitura de ambiente.

A questão é separar o que o ambiente projetou em você do que é genuinamente seu.

CAMADA 3: O PADRÃO INTERNO

Depois de anos absorvendo microsinalizações de que você está em território alheio, o sistema internaliza. A voz que antes era externa vira interna. E aí começa a parecer verdade.

o que a gente deveria fazer, afinal?

O que falta na maioria das conversas sobre síndrome da impostora é analisar a distinção entre dúvida útil e dúvida paralisante.

Dúvida útil faz perguntas. Verifica. Atualiza. Produz qualidade.

Dúvida paralisante não precisa de evidência para operar. Ela constrói cenários que nunca aconteceram e os trata como inevitáveis.

Em 2017, eu tinha repertório. Tinha preparo. Tinha capacidade. O que eu não tinha era permissão interna para confiar nisso antes de ver o resultado.

E isso não é humildade. É sabotagem com nome elegante.

A Dúvida Útil vai te ajudar a se preparar mais. Já a dúvida paralisante, bom, o próprio nome já diz!

UMA COISA ANTES DE TERMINAR

Você não precisa eliminar o medo para viver coisas grandes. Você só precisa parar de tratar a história que ele conta como se fosse relatório de auditoria.

Gosto muito de uma frase que diz “Ela tem medos indescritíveis. E coragens inexplicáveis”. Gosto tanto que tatuei.

Porque o que o medo chama de “não estar pronta” é, muitas vezes, apenas o tamanho da coisa. E tamanho, a gente dá um jeito de ultrapassar.

Contar como ferramentas como a Taito, nos ajuda a silenciar as dúvidas paralisantes, porque conseguimos ter algo palpável que nos ajuda a identificar exatamente o que está bom e o que precisa ser desenvolvindo.

Bom… esse foi meu início, nesse espaço que espero ser de trocas, de contar histórias, de falar de tendências. De pegar um café para ler, como se fosse um dedo de prosa!!!

Te espero para o próximo cafezim!

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