Inovação e Originalidade

Seja original, seja humano

Seja original, seja humano

Todos os erros e acertos deste texto são de responsabilidade de sua autora, Letícia Veiga Vasques, que o escreveu a partir de seus estudos, lampejos de lucidez e experiências de vida e carreira, sem a ajudinha da I.A. Pela atenção, obrigada.

Sempre me considerei uma pessoa absolutamente original, sem nenhuma modéstia. Gostaria de ver mais gente original no mundo, como nos tempos de Elke Maravilha, Zuzu Angel e Jorge Mautner, fazendo coisas extraordinárias. Fiquemos, por enquanto, apenas com essa palavra em mente: EXTRAORDINÁRIO.

Pensar o século XX como celeiro de gente que brilhava (mas também morria de fome) não é saudosismo, mas um ponto de partida para analisar como se formam os originais de hoje e de quais estímulos desfrutam neste outono de 2026. Se em meio a um mundo em ebulição, pipocando em guerras e descobrindo a transcendência, a psicanálise e a liberdade, as pessoas produziam obras analógicas louváveis e escaláveis (vide a fama de Diego Rivera, muralista mexicano), porque hoje, com mais facilidade de reprodução, em teoria, é tão difícil se destacar?

A resposta pode ser considerada causa e solução para a questão: em meio a um oceano de estímulos, vemos a grande maioria à deriva em tábuas como a de Rose e Jack, possivelmente porque, com tudo nas mãos, não sabem contemplá-lo e selecionar formas de se agarrar e mergulhar no que importa (perdão pelo mergulho, Jack). Byung-Chul Han, em Vita contemplativa, esclarece o mistério: “A conectividade sem limites é justamente o que enfraquece o vínculo”.

Para ser original e criar o extraordinário, então, devemos voltar o olhar ao vínculo, pois o que forma a autenticidade e a capacidade de pensar além não é o olhar para si, mas para o mundo e para os outros, para a História e para as histórias de quem está perto de nós. Han alerta para o fato de que, apesar de não vivermos mais em uma sociedade de massas, sua longa formação ainda nos afeta e empurra para um nivelamento para o mediano, que é a maioria que, consequentemente, detém o poder. No entanto, ali, entre os medianos, que aceitam a normalização da vida, mora um impedimento à “atuação espontânea e realizações extraordinárias”. Aí desanima, Han.

O que posso te aconselhar, então, é que olhe para as pessoas, para a natureza, para os modos de ser e para referências pouco “normalizadas” para que comecemos nossa conversa sobre originalidade. Em seguida, tente mergulhar em algo, deixando a conectividade digital em segundo plano e prezando pela física, usando seus olhos cansados de telas para admirar e contemplar, pois sem isso não saímos da superfície. Será possível criar o novo, mas nem sempre você precisa fazer isso, descanse um pouco, pois no fim você é apenas mais um humano.

P.S.: se não sabe nada a respeito das personalidades citadas acima, comece sua busca pela originalidade com uma pesquisa sobre elas, isso já será um bom primeiro passo.

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